prosa e verso
lançamento




POESIAS AGUDAS

No dia 21 de maio, o Coletivo Literário Macondo Casa Editorial/ Letra Miúda participou da celebração “Um Dia de Poesia, 10 Anos de Travessia”, durante o IV Festival Nós na Luta, em uma tarde de afetos, memória e encontros no Instituto Municipal Nise da Silveira.
Altair Pinheiro lançou seu Poesias agudas , que reúne 45 textos com curadoria de Marcelo Valle, ilustrações de Amanda Olbel e projeto gráfico de Jeff Barros.
A obra do poeta que escreve sem pausas, o poeta do delito que deixa o leitor em suspenso, estreiou na comemoração de 10 anos do Espaço Travessia, onde ele atua como uma espécie de mestre de cerimônias. Altair recebe os visitantes com sua literatura e os leva para conhecer o espaço pelos seus olhos. Olhos que viram muito e guardam lembranças de tempos duros que, aos 82 anos, o poeta derrama para o mundo como sangue coagulado no chão.
Poesias agudas
Altair Pinheiro - Ilustrações: Amanda Olbel
Macondo Casa Editorial: Letra Miúda, 2026
Imagens: Eduardo Mendoza, Bruna Viana e Fernanda Baroni



AGUDÁS
Sempre discordando
E levando porrada
Não me curvei
Ao teu encanto
Não cantei teu canto
Não cantei teu hino
Não rezei para
Teu Deus divino
Para teu Diabo
Balançando o rabo
Cuspindo fogo e sorrindo
Não atendi teu sinal
Não atendi teu sino
Para ser devorado
Por teus leões
Nas tuas arenas
Nos teus batalhões
Por seus cães de guarda
Com muito sangue nas mãos
Sobrevivi a Inquisição
Onde Deus e Diabo
Julgavam todos pecados
De quem não cantava
De quem não rezava
De quem não marchava
No mesmo ritmo
Não cantava tua canção
Não rezava tua oração
De quem denunciava
Tua sádica violação
Dos corpos torturados
Do sangue coagulado no chão














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