Pra quem gosta de ler nas entrelinhas
A Letra Miúda é uma revista sobre Literatura, sem distinção de destinatário. Literatura e ponto (ok, talvez sejam reticências...).
É sobre a vida também. A nossa – de quem escreve e transborda em palavras o que ouve, vê, sente, pensa e deseja – e a de quem nos lê. Esse espaço é o nosso (re)canto. Um lugar pra trocar ideias sobre o que queremos desse mundo, muitas vezes, desencantado. E para falar disso tudo, reunimos artistas com perfis muito diferentes. Nosso time de colunistas e ilustradoras é 100% feminino e muito do que trazemos para conversar com você gira em torno desses universos que não nos definem, mas nos empoderam: vamos falar de leituras, escritos, cultura, cotidiano, prosa e poesia, acolhimento, história, posicionamento. E abrir espaço para outras vozes também. Na seção Prosa e Verso a gente recebe artistas que toparam compartilhar palavras que merecem ser ecoadas por aí. Enfim, (mas nunca finalmente), Letra Miúda é uma semente que foi plantada há muito tempo. Precisou de adubo, sol, água e tempo para amadurecer. Chegou a hora da colheita e é muito bom ter você aqui!
Loucura crua cura
Ao som de Ivone e de mãos dadas com Nise produzimos esta sexta edição da revista Letra Miúda: Loucura crua cura.
O desenho começou nos paralelepípedos de Paraty, na Flip/2025, quando nossa colaboradora Anna Claudia Ramos esbarrou na escritora espanhola Rosa Montero convidando: “Conversa comigo sobre O perigo de estar lúcida?” O sim de Rosa ecoou em nós em uma visita ao Espaço Travessia, no Rio de Janeiro, alguns meses depois, e o tema da edição veio em assombro: Arte e Saúde Mental.
Nossas colunistas derramaram poesias e contos mergulhando nesse território e trouxemos novos nomes com mulheres que trabalham Saúde Mental pela palavra, pela literatura, pela comunicação e pela educação. Mulheres que têm a arte atravessada em si e compartilham nessas páginas pulseiras trançadas em coletivo; a loucura de quem tem o lápis e de quem tem o grito, como fresta na parede; o retorno de quem cantou para voltar de seus demônios mais profundos; a autoestima intelectual feminina; a potência generosa da arte da palavra no cuidado humanizado; o lugar da escrita que nasce dos restos e rastros da escuta; a urgência de nomear o incompreensível, e os desvãos do espaço que ocupou enfermarias psiquiátricas com ninhos de arte e trocou camisas de força por cores, e gritos por gargalhadas.
A arte visual estampada nas paredes que já comprimiram mulheres e homens em internação psiquiátrica ilustra estas páginas, como um lembrete de Nise: “Vivam a imaginação, pois ela é a realidade mais profunda.” Amanda Olbel, Esther Morgana de Araújo, Georgia Chagas e Nai Rezende são artistas que passaram pelo Espaço Travessia, o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde do Instituto Municipal Nise da Silveira, e nossa Loucura crua cura não poderia ser melhor ilustrada.
Sua benção, D. Ivone. Sua benção, Mestra Nise. A arte dessa Letra Miúda tá na rua. Saúde!
